quarta-feira, 27 de abril de 2011

É bíblico o protestantismo?

Provavelmente todos já ouviram de um protestante a seguinte frase:

“Nós cremos somente na Bíblia, e a Bíblia inteira é a única regra de fé para o cristão”

Está frase é como que um dogma para o protestantismo e reflete todo o pensamento da fundamental doutrina deste ramo religioso a “Sola Scriptura” ou somente as escrituras. Negam, portanto, os ensinamentos transmitidos oralmente por Cristo e os apóstolos conhecidos como Sagrada Tradição.
Baseados nisto vamos agora mostrar que há várias inverdades no uso desta frase por parte de protestantes e mostrar que de bíblicas suas principais doutrinas nada tem.

“A Tradição oral remonta ao próprio Cristo e aos Apóstolos. Ela é anterior à Escritura e se exprime nela. O ponto em que mais aparece a necessidade de algo anterior à Escritura, é a que se refere ao Cânon Bíblico: Com saber se um livro é ou não inspirado?

O próprio protestantismo, que afirma só reconhecer a Escritura, recorre necessariamente à Tradição Oral em 2 ocasiões:

1.                  Sem a Tradição oral, não se pode definir o catálogo sagrado, pois em nenhuma parte da Escritura está escrito quais os livros que, inspirados por Deus, a devem integrar. É preciso procurar a definição dos livros sagrados fora da Escritura: na Tradição. Ora Lutero e o Protestantismo recorreram a tradição dos judeus da palestina, enquanto a Igreja Católica, seguindo o uso dos Apóstolos, optara pela tradição dos judeus de Alexandria.

2.                  Na sua maneira de interpretar a Bíblia, os protestantes também recorrem a uma tradição. Pois embora o texto bíblico seja o mesmo para todas as denominações evangélicas, estas não concordam entre si, por exemplo, no que toca ao Batismo de criança, à observância do sábado ou do domingo, etc. As divergências não provêm do texto bíblico, mas da interpretação dada a este texto por cada fundador. Ou seja, dependem da tradição oral ou escrita que cada fundador quis iniciar na sua congregação. Assim, embora queiram rejeitar a Tradição Oral, o cristão a professa sempre: professa a Tradição oriunda de Cristo e dos Apóstolos, ou a tradição oriunda de Lutero, Calvino… Cada “profeta” protestante faz o que Lutero fez: rejeita a tradição protestante anterior e começa uma nova tradição: sim, lê a Bíblia ao seu modo e dela deduz proposições de fé e de moral que, segundo a sua intuição humana falível, lhe parecem mais acertada.

Assim, a Escritura, só, não pode ser, nem é no protestantismo, a única fonte de fé. Por outro lado, a Tradição Oral e o Magistério da Igreja só tem sentido se fazem eco à Sagrada Escritura.” (Dom Estevão Bettencourt, OSB;  Apostila “Diálogo Ecumênico” , Escola Mater  Ecclesiae)

Interessante cronologia:

1517: Monge Martinho  Lutero Fixa suas 95 teses na porta do castelo de Wittenberg na Alemanha, defendendo as indulgencias, que é negada pela maioria dos protestantes e contestando muitas doutrinas da Igreja. Nasce então o protestantismo.

1521: Lutero começa a tradução da bíblia para o alemão, modificando algumas passagens e removendo livros da bíblia, 7 do antigo testamento e alguns do novo testamento como Tiago, Apocalipse e etc (Livros que não eram compatíveis com suas novas doutrinas), como base em que ele fez isto?

 1524: Nascem então os anabatistas, (ou rebatizadores). Interpretavam as ousadamente as idéias de Lutero, e negavam o batismo de crianças, o que não era condenado por Lutero.

1525: Surgem várias revoltas de camponeses inspirados nas idéias de Lutero e eram incitados pelo anabatista Thomas Münzer. Lutero deixou o castelo onde estava e voltou a Wittenberg. Conseguiu apoio do braço secular para restabelecer  a ordem, e teve que enfrentar os camponeses. Lutero optou pela sufocação violenta dos revoltosos, e Thomas Münzer foi decapitado, o que fez com que Lutero perdesse popularidade com o povo, pois o povo viu que sua nova “Igreja” era para os ricos e não para os pobres.

1534: Terminou a tradução da bíblia, no castelo onde permaneceu, durante este tempo sofreu crises nervosas muito violentas, que ele considerava como assaltos diabólicos. ¹

1537: Lutero devido a seus pensamentos de que não era digno de salvação e que nada que fizesse poderia contribuir para sua salvação, formulou então a doutrina da “Sola Fide” ou “somente a fé”, que diz que somente a fé pode nos salvar, as obras de nada adiantam, o que foi um dos motivos que o levou a arrancar da bíblia a epistola de Tiago, pois esta contradiz sua doutrina Cf. Tiago 2, 14-26.
Daí então foi um passo para a proliferação das novas seitas iluminadas pelas idéias de Lutero:

1534: Surge o Anglicanismo na Inglaterra, com o Rei Henrique VIII, por que o Papa não queria dar o divórcio ao ele e sua mulher.

1541: Calvino cria Calvinismo em Genebra na Suíça, como novas idéias além das de Lutero. País, o qual é hoje um dos países como mais ateus no mundo. Calvino embora partilhante das doutrinas de Lutero, teve seu ponto característico no conceito de Deus. Colocou a ênfase sobre a majestade divina a ponto de dizer que há duas predestinações: uma para a salvação e outra explícita para a condenação eterna. Para Ele Deus proíbe o pecado a todos, mas na verdade quer que alguns pequem, para que sejam condenados.  Em outras palavras, Deus criou alguns para irem para o céu e outros para irem para o inferno, e as palavras de Jesus, “Ide e pregai o evangelho a toda criatura” cf. Mc 16, 15, então  de nada valem, pois não adianta pregar para os que já irão para o inferno.

1567: John Knox  na Escócia cria o presbiterianismo inspirado nas idéias de Calvino.

1604: John Smith funda a Igreja Batista na Holanda, é também hoje é um dos países mais ateus do mundo. (Tão inspirados foram, como não conseguiram nem mesmo evangelizar o pais onde nasceram?)

1649: John Fox (nos Eua) funda os Quarckers. Estes não valorizavam a bíblia ao invés disso valorizavam mais a inspiração individual do crente. Por isso não tinham dogmas, nem sacramentos, apenas uma corrente de regeneração moral  baseada muito na mão violenta. Não tinham igrejas nem pastores.

1739: Surge o Metodismo fundado por John Wesley na Inglaterra. A Ruptura com o anglicanismo deu origem a esta “Igreja”.  Ordenou seus próprios bispos. A única condição para que se torne metodista é que tenha o desejo de escapar da ira vindoura e ser isento de pecado.

1830: Joseph Smith (nos EUA) supostamente guiado por Deus descobriu alguns escritos (inspirados?) perdidos, nasceu se então o mormonismo. Joseph Smith tem uma visão de 2 anjos que lhe disseram que ele não deveria se filiar a nenhuma denominação religiosa e restaurar o “cristianismo primitivo”. Em 1822 teve uma segunda visão onde foi visitado por um suposto anjo Moroni, onde anunciou que Joseph deveria achar placas de ouro ocultas onde se encontrava uma maravilhosa história do povo de Deus nos EUA. Em 1827 o anjo o levou a uma montanha ele cavou e encontrou as placas nasceu se assim o mormonismo.
Algumas de suas doutrinas são:

Existe um Deus que é “Pai, Filho e Espírito Santo”; O Pai porém, tem carne e osso; quando ao filho e ao E.S são apenas emanações do pai.
O homem é eterno e viveu no reino de Deus antes de vim a terra, neste mundo os homens não têm lembranças da vida passada, para poderem aceitar livremente ou rejeitar o evangelho. Caso não cheguem ao conhecimento de Cristo nesta vida poderão chegar após a morte por um batismo póstumo (ou pós morte).
Este Batismo é uma das mais estranhas doutrinas desta seita que é administrado por parentes do defunto.

Também praticam o casamento pelos mortos, uma mulher que morra sem ter casado nesta vida pode ser casada por seus parentes a um outro morto no além.

1831: Willian Müller funda o Adventismo (nos EUA) 1831, veio da Igreja batista com uma nova revelação de quando supostamente Cristo Iria voltar, marcou a data e até hoje Cristo nunca voltou. Seus  discípulos tentaram recalcular as datas e previram para 1844 e novamente Cristo não voltou. Em meio ao descontentamento das pessoas que os seguiam, surge entoa uma Sra. Chamada Ellen Goud White, que veio com uma nova interpretação, assim ela explicou que a data estava certa o que estava errado era o acontecimento, segundo ela naquele ano cristo não iria voltar e sim entrar nos “Santos dos Santos” do céu  para terminar o sacrifício que não terminou na cruz, que ela dizia ter visto com seus próprios olhos.   Surge então o Juizo investigativo que supõe que Jesus não terminou seu sacrifício na cruz, mas sim em 1844.

Depois que Müller morreu Elen White se tornou a grande mestra do Adventismo, passaram então a observar o sábado, exigem não somente a fé nas escrituras, mas também nos escritos desta cidadã.

Pregam uma doutrina rígida em relação a alimentação o que nos leva a lembrar de uma seita religiosa herética que surgiu nos primeiros séculos através de um sacerdote o Montanismo.

Alguns escritos da sua grande “profetiza” ensina que Jesus é semelhante a nós inclusive em pecado a bíblia, porém diz que Jesus é “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado além dos céus, que não tem necessidade, como os outros sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro pelos pecados próprios, depois pelos do povo; pois isto o fez de uma só vez para sempre, oferecendo-se a si mesmo” (Cf. Hb 7,22-27)

1900: Surge nos EUA o Pentecostalismo criado por Charles Parham. Este movimento ensinava que o homem depois da conversão (necessária a salvação), o cristão deve passa por uma “segunda bênção” ou uma nova e mais profunda experiência religiosa que era chamada de “batismo no Espírito Santo”. De início os precursores deste movimento não tinham a intenção de criar uma nova denominação, mas como foram rejeitados por suas denominações  romperam com elas, o que deu início ao maior denominacionalismo da história protestante. Nenhuma denominação protestante está sujeita a dividir-se e subdividir-se tanto quando os pentecostais. Isto ocorre por que as raízes e forças propulsoras são muito subjetivas e emocionais. O crente pentecostal que julgue ter uma visão ou uma “profecia”, facilmente se torna fundador de um ramo independente.
  1. A Emoção muitas vezes supera a razão.
  1. Propensão forte a fenômenos tidos como extraordinários que fazem, vibrar, aplaudir, gritar, dificultando o raciocínio e o senso crítico.
  1. Neste ritmo os pentecostais se afastam cada vez mais do genuíno cristianismo. Tendem a fazer da religião um serviço ao homem e não a Deus; o antropocentrismo predomina, ainda que veladamente. Os seus templos se transformam mais e mais em salões de proclamação da bíblia e com pregação, com a realização de “milagres” correspondentes. (PR n. 282/1985, p. 373s )
1916: Charles Taze Russell  nos EUA também “inspirado” por “deus”  funda os Testemunhas de Jeová. (Ramo que difere um pouco do protestantismo normal) . Esta é uma seita de características peculiares, mas que surgiram como todas as outras denominações protestantes de supostas revelações de Deus. Russell era presbiteriano, insatisfeito com sua denominação e com uma descoberta que fez de que depois dos apóstolos ninguém havia compreendido o evangelho ficou se entoa reservado a Russell a missão de proclamá-lo ao mundo.

Baseados em Textos de Daniel e Ezequiel este cidadão tentou por várias vezes adivinhar a data da vinda de Cristo  para 1914, chegou a data nada aconteceu, depois seus sucessores tentaram adivinhar para 1925, nada aconteceu, de novo tentaram para 1968, nada aconteceu e novamente para 1975 e até hoje esperamos a vinda de Cristo.

O principal erro dos testemunhas de Jeová é que negam a divindade de Cristo, dizem que Cristo é como se fosse um semi –deus que apenas veio cumprir um papel aqui.
Falam que apenas 144 mil irão para o céu ver a face de Deus os demais salvos ficaram aqui na terra.
As almas dos que não aceitarem Jeová serão aniquilados, ou seja, deixarão de existir.

1977: No Brasil Edir Macedo funda a “Igreja Universal do Reino de Deus”. Edir Macedo depois de passar por várias religiões entra na Igreja Pentecostal Nova Vida depois de anos rompe com a mesma, funda a Igreja Universal, auto sagrou-se bispo e conseqüentemente sagrou seus companheiros. Feito se “bispo”, Edir criou para si um vasto império. Como pregador do evangelho e arauto de curas, foi adquirindo vários meios de comunicação e outros bens materiais no Brasil e no interior.
Diz ele : “O dinheiro é uma ferramenta sagrada que Deus usa na sua Obra” (Jornal da tarde, 06/04/ 1991, p. 14)

Esta é mais uma denominação a serviço do homem e não de Deus. Se torna uma pronto socorro religioso aonde as pessoas vão pra serem curadas e não para adorarem a Deus.

A Religião antes de tudo é a ligação do homem a Deus; tem como objetivo primeiro adorar e glorificar a Deus, por que Ele é santo e infinitamente bom e sábio, independentemente, deste ou daquele feito extraordinário que ele tenha feito.

Anos seguintes:

Surge o neopentecostalismo.

Entre os neopentecostais surgem as vigílias do ré-té-té, reuniões feitas às sextas feiras a partir da meia noite onde o culto ocorre em meio a gritarias e rodopios que nos lembram mais centros de umbanda do que um culto a Deus. Quem quiser saber mais sobre esta vigília é só ler uma matéria já publicada no blog:
http://sadoutrina.wordpress.com/2010/06/30/louvor-e-adoracao-ou-macumbaria/

Surge a teologia da prosperidade, uma das mais pérfidas doutrinas surgidas no meio protestante. Segundo a Teologia da Prosperidade, Deus concede riqueza e bens materiais a quem Lhe é fiel e paga o dizimo com generosidade; mas esta concepção está mal fundamentada. No entanto o adeptos dessa teologia, baseiam-se no Antigo Testamento para dizer que os homens de Deus foram ricos como Salomão, e que Jesus prometeu que veio para que tenhamos “vida em abundância”. (Jo 10,10)

Jesus nunca ensinou que o Evangelho pudesse ser uma fonte de enriquecimento ou um meio de se levar uma vida “regalada”, “em nome de Deus”; ao contrário, o Senhor ofereceu a renúncia e a cruz àqueles que o seguirem:

“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia e me siga. Porque, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim salvá-la-á” (Lc 9,23-24).

Jesus fala de sacrifico, renúncia, perder a própria vida; e diz que se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, não pode dar fruto (cf. Jo 12, 24). Isto está longe de ser um ensinamento de enriquecimento porque se faz a vontade de Deus. Ele não é contra a riqueza justa, e sabiamente usada para o bem de si mesmo e dos outros, mas isto está longe de justificar a teologia da prosperidade.

A fraguimentação das seitas se tornou tão grande que é impossível relatar todas aqui, foram citadas aqui apenas as mais conhecidas.
Depois desta leitura podemos novamente nos perguntar: “É bíblico o protestantismo?”
“Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo.”  (1 Jo 4, 1-3)
“Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas.” (2 Tm 4, 3-4)
Referencias bibliográficas: 
- Aquino, Felipe Rinaldo Queiroz de, Falsas doutrinas: Seitas e religiões 10ª Ed. – Lorena:  Cléofas, 2009.
- Dom Estevão Bettencourt, OSB;  Apostila “Diálogo Ecumênico” , Escola Mater  Ecclesiae
- Revista Pergunte & Responderemos n. 282/1985, p. 373s


FONTE: SÃ DOUTRINA


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

2 Timóteo 3,16-17 & 1 Coríntios 4, 6 e a Sola Scriptura

Sendo a Sola Scriptura uma doutrina que já se torna auto-refutável por não haver na Bíblia nenhum versículo que a prove, seus adeptos hoje tentam usar-se de malabarismos exegéticos para poder explicá-la. Negando assim a tradição oral, que é ensinada pela própria bíblia, colocando o valor desta como inútil para o Cristão.

Também tentam fazer uma exegese barata das palavras de Paulo, (II Tes. 2,14; II Tes 3,6) Dizendo que tal Tradição Oral que Paulo fala nada mais é que o próprio conteúdo da bíblia, ora Paulo fala claramente “tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta”, será que é difícil entender? Paulo iria colocar o que falou e o que escreveu em pé de Igualdade? 

Não poderia ele simplesmente falar de um só já que são os mesmos, ele precisaria especificar diferenças?

Esquecem que os próprios apóstolos disseram que nem tudo foi escrito ( João 21,25 ) e que houve outras doutrinas que não foram passadas por escrito e simplesmente por viva voz ( 2 João 1,12; 3 João 1,13-14 ), bem feitos essas considerações vamos nos ater agora ao título da matéria:
Eles ( adeptos da Sola Scriptura) comumente citam versículos tais como 2 Tm 3,16-17 ou 1 Cor 4, 6 ( como mais fortes ) em sua defesa , mas um exame minucioso destas duas passagens facilmente irá demonstrar que na verdade estes não suportam tal doutrina.

Em 2 Tm 3,16-17 lemos: Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para qualquer boa obra.
Existem aqui cinco considerações que enfraquecem a interpretação protestante desta passagem:
  1. A palavra grega ophelimus utilizado no v.16 significa útil e não suficiente. Um exemplo desta diferença seria dizer que a água é útil para nossa existência – mesmo necessária – mas não é suficiente; isto é, ela não é o único componente que nos manteria vivos. Também precisamos de alimentos, medicamentos, etc. Da mesma forma, a Escritura é útil na vida do cristão, mas isto nunca quis dizer que ela é a única fonte de ensino cristão e a única coisa que cada o necessita.
  2. A palavra grega pasa, que geralmente é traduzida como toda, na realidade significa qualquer, e seu sentido se refere a cada uma ou qualquer uma das classes denotadas pelo substantivo a que está conectado. Em outras palavras, a forma grega indica que toda e qualquer Escritura é útil. Se a doutrina da Sola Scriptura fosse verdadeira, baseada no verso grego 16, todo e qualquer livro da Bíblia poderia, isoladamente, ser considerado a única regra de fé, uma posição que é obviamente absurda.
  3. A Escritura a que Paulo se refere é o Antigo Testamento, um fato que é claramente referido pelo fato de as Escrituras serem conhecidas desde a tenra infância (v.15) por Timóteo. O Novo Testamento como conhecemos ainda nem mesmo existia, ou na melhor das hipóteses estava incompleto, então não poderia estar incluído no que Paulo quis dizer com o termo Escritura. Se aceitarmos as palavras de Paulo sem analisarmos o que realmente significam, a Sola Scriptura, então, significaria que a única regra de fé do cristão é o Antigo Testamento. Esta é uma conclusão que todos os cristãos rejeitariam. Os protestantes responderiam a este argumento dizendo que Paulo não está tratando do cânon da Bíblia (os livros inspirados que constituem a Bíblia), mas sim da natureza da Escritura. Ainda que haja alguma validade nesta afirmação, a questão do cânon também é relevante aqui, pelas seguintes razões: antes que falemos da natureza das Escrituras como sendo theopneustos, ou seja, inspirados (literalmente “soprados por Deus”), é imperativo que identifiquemos com segurança os livros que queremos listar como Escritura; de outra forma, livros errados poderia ser chamados de inspirados. Obviamente, as palavras de São Paulo aqui tomaram uma nova dimensão quando o Novo Testamento foi completado, e os cristãos eventualmente as consideravam, também, como sendo Escritura. Deve ser dito, então, que o cânon bíblico também entra na questão, pois Paulo – escrevendo sob a inspiração do Espírito Santo – enfatiza o fato de que toda (e não somente alguma) Escritura é inspirada. A questão que deve ser discutida, entretanto, é esta: como podemos ter a certeza de que temos todos os livros corretos? Obviamente, somente poderemos conhecer a resposta se soubermos qual é o cânon da Bíblia. Tal questão guarda um problema para os protestantes, mas não para os católicos, pois estes possuem uma autoridade infalível que pode responder.
  4. A palavra grega artios, aqui traduzida como perfeito, à primeira vista pode fazer crer que a Escritura é de fato tudo o que é necessário. “Logo”, alguém poderia perguntar:
“se as Escrituras tornam o homem de Deus perfeito, que mais seria preciso? Por acaso a palavra ‘perfeito’ não significa que nada mais é necessário?”

Bem, a dificuldade com esta interpretação é que o texto não diz que somente pelos meios da Escritura o homem de Deus é tornado perfeito. O texto indica precisamente o oposto, pois é verdadeiro que a Escritura opera em conjunção com outras coisas. Note que não é qualquer um que se torna perfeito, mas o homem de Deus – que significa um ministro de Deus (cf. 1 Tm 6,11), um sacerdote. O fato deste indivíduo ser um ministro de Cristo pressupõe que ele já estava acompanhando um estudo que o prepararia para exercer tal ofício. Sendo assim, a Escritura poderia ser mais um instrumento dentro de uma série de outros que tornam o homem de Deus perfeito. As Escrituras poderiam complementar sua lista de itens necessários ou poderiam ser o item mais proeminente da lista, mas seguramente não eram a única ferramenta de sua lista nem pretendia ser tudo o que necessitaria. Por analogia, considere um médico. Neste contexto, poderíamos dizer algo como “O Tratado de Medicina Interna do Harrison (livro texto de referência na prática médica mundial) torna nossa prática médica perfeita, logo estamos aptos a qualquer procedimento médico”. Obviamente tal afirmativa não pode significar que tudo o que o médico precisa seja o TMIH. Este é um item entre vários outros, ou o mais proeminente. O médico também necessita de um estetoscópio, um tensiômetro, um otoscópio, um oftalmoscópio, técnicas cirúrgicas, etc. Estes outros itens são pressupostos pelo fato de estarmos falando de um médico, e não de um leigo. Logo, seria incorreto presumir que somente o TMIH torna o médico perfeito, a única ferramenta necessária.

Além disso, considerar que a palavra perfeito significa o único item necessário resulta em contradição bíblica, pois em Tg 1,4 lemos que a paciência – sem citar as Escrituras – torna os homens perfeitos e íntegros, livres de todo defeito. É verdade que aqui uma palavra grega diferente – teleios – é usada para perfeitos, mas permanece o fato de que o entendimento básico é o mesmo. Então, se alguém certamente entende que a paciência não é a única ferramenta que o cristão precisa para ser perfeito, um método interpretativo consistente levaria-nos a reconhecer da mesma forma que as Escrituras não são a única coisa que o homem de Deus necessita para ser perfeito.
  1. A palavra grega exartio no v.17, traduzida por qualificado (outras Bíblias trazem algo como equipado ou plenamente qualificado) é tida como uma prova pelos protestantes da Sola Scriptura pois esta palavra – novamente – implica em dizer que nada mais é necessário ao homem de Deus. Contudo, ainda que o homem de Deus seja qualificado ou plenamente equipado, este fato por si mesmo não garante que este homem saiba interpretar e aplicar corretamente uma passagem bíblica. O sacerdote deve também aprender como usar corretamente as Escrituras, mesmo que ele já esteja equipado com elas. Considere de novo a analogia do médico. Pense num estudante de medicina no início de seu internato. Ele deve dispor de todo seu arsenal necessário para os procedimentos cirúrgicos, ou seja, ele deve estar qualificado, plenamente equipado para qualquer procedimento de emergência, mas a menos que ele passe boa parte do tempo junto a médicos mais experientes, observe suas técnicas, aprenda suas habilidades, e pratique algum procedimento ele próprio, os instrumentos cirúrgicos que possui são completamente inúteis. Sem dúvida, se não aprender a usar tais instrumentos apropriadamente, estes mesmos podem se tornar armas perigosas em suas mãos. Quem se habilitaria a submeter-se a um cirurgião que aprendeu cirurgias por cursos de correspondência?
Da mesma forma ocorre entre o homem de Deus e a Escritura. Estas, como os instrumentos cirúrgicos, são preciosos apenas quando bem manipulados. Do contrário, os resultados são o oposto do esperado. Mal usados, um pode trazer a dor e a morte física, a outra, a dor e a morte espiritual. Devido a Escritura nos advertir a mantermos a retidão da palavra da verdade ( cf. 2 Tm 2,15), é óbvio, portanto, que a palavra da verdade pode ser desviada de seu correto caminho – da mesma forma que um estudante de medicina destreinado que usa incorretamente seu instrumental. ¹

Em 1 Coríntios 4, 6 lemos: “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.” ( Tradução João Almeida )

Partindo do pressuposto do versículo Isolado do contexto este seria um prato cheio para os seguidores da Sola Scriptura, assim como para um ateu que poderia usar Salmo 9, 24 pra provar na bíblia que “Deus não Existe”.
Está passagem é uma passagem de tradução muito difícil, que não se consegui achar palavra por palavra indo direto ao original, sendo assim só por isso já não poderíamos extrair definitivamente uma doutrina desta passagem.
Na bíblia Jerusalém a melhor tradução das Sagradas escrituras que temos em português está escrito:
“Nisto Tudo Irmãos, eu me tornei como exemplo juntamente com Apolo por causa de vós, a fim de que aprendais a nosso respeito a Máxima, (‘não ir além do que está escrito’) ”.

Nas notas de Rodapé vem explicando que:
“Texto difícil. A frase entre parêntese foi acrescentada por copista escrupuloso que indica a negação foi acrescentada a seu texto.”
Ou seja pode se extrair uma doutrina de um texto que há variações nos manuscritos antigos sem uma devida autoridade para confirmá-los?

Este comentário acima fizemos isolando o texto do contexto, agora vamos mostrar o contexto e com as Palavras de São João Crisostomo um dos Pais da Igreja teólogos dos Primeiros séculos na sua Homilia XII Especialmente sobre 1 Coríntios 4, 6 a real interpretação deste texto.

Quem já leu e sabe a problemática que levou Paulo a escrever tal carta, sabe que os coríntios estavam em contenta, disputas para ver qual era o melhor apostolo que havia evangelizados eles, os julgamentos indevidos, a comunhão com os pagãos e etc.

Em 1 Coríntios 4 diz: 1. Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus.2. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis.3. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. 4. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. 5. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece. 6. Se apliquei tudo isso a mim e a Apolo foi por vossa causa, para que, em nós, aprendais  a não ultrapassar o que está escrito e para que vos não ensoberbeçais tomando partido a favor de um e com prejuízo de outrem.

Veja que Paulo não diz nada a respeito de que os coríntios estavam seguindo algo além das escrituras e conseqüentemente repreende-los por isso. Apenas repreende-os sobre a má conduta deles e os exorta nesse caso a seguirem o que está escrito. Além do mais se Paulo estivesse se referindo a seguir somente as escrituras cairia novamente no mesmo sentido da primeira passagem analisada, estaria se referindo ao antigo testamento e não ao novo testamento visto que o NT ainda não estava escrito. O que ele fala que estava escrito provavelmente seja o conteúdo de uma carta anterior que ele escreveu comunidade que ele vai revelar no capítulo 5:
 “Na minha carta vos escrevi que não tivésseis familiaridade com os impudicos. Porém, não me referia de um modo absoluto a todos os impudicos deste mundo, os avarentos, os ladrões ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair deste mundo.” ( 1 Cor 5, 9-10 )

Onde está esta carta? E o conteúdo dela? Por que ela não foi considerada um livro inspirado? É uma carta chamada de “pré canônica” que não foi conservada, e logo após essa depois de Paulo ter recebido a noticia na casa de Cloé (1 Cor 1, 11) resolveu escrever esta outra carta que para nós é 1ª Coríntios.
Agora vamos deixar São João Crisostomo (+ 407 d.C) explicar melhor o que Paulo quer dizer com “Não ir além do que está escrito”:

“Mas qual é o significado de “não ser sábio acima do que está escrito?” Está escrito (St. Matt. Vii. 3.) “Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, porém não o feixe que está no teu olho?” e “Não julgueis, para que não sejais julgados”. Porque, se nós somos um e são mutuamente unidos, não nos convém levantar-se um contra o outro. Para “aquele que se humilha será exaltado”, diz ele. E (. St. Matt xx 26, 27;. São Marcos x 43;. Não literalmente) “Aquele que será o primeiro de todos, que ele seja o servo de todos”. Estas são as coisas que “são escritas.””  (Crisostomo, XII Homilia sobre 1 Coríntios)

Veja que há uma variação nas palavras de São João Crisostomo em relação a esta passagem que também é uma tradução válida “não ser sábio além do que está escrito” por causa de variações nos manuscritos (Koiné e Bizantino) que contém uma palavra ( phronein ) que ao pé da letra é traduzida como “saber, pensar, tem uma opinião” no particípio passado. Existe melhor interpretação bíblica do que dos primeiros Cristãos?

Portanto mais uma vez provado que a Sola Scriptura não tem base sólida em si mesma, parte de uma autoridade Extra-bíblica, tornando-a auto refutável.

In Cord Jesu, Semper,
Rafael Rodrigues
Referencias e fonte utilizada:
¹ Charles the Hammer, Traditional Catholic Apologetics, Tradução: Carlos Martins Nabeto.

fonte: Sã Doutrina

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pedro Realmente Esteve em Roma?

Muitas são as tentativas de provar que Pedro nunca esteve em Roma, porém como a verdade é sempre verdade, ela não pode ser mudada, portanto exporemos aqui as provas da estadia de Pedro em Roma refutando muitas objeções caluniadoras!
1ª Prova, bíblica.
1 Pedro 5, 13. A igreja escolhida de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho.
Está é a principal prova de que Pedro esteve em Roma, visto que Roma era tira como a babilônia na época pela semelhança que tinha com a babilônia (Ap 17,5; 18, 10). Assim, na mente de Pedro, a Roma dos seus dias lembrava a antiga Babilônia em riqueza, luxúria e licenciosidade

Objeção:

Alguns dizem que está babilônia era Babilônia do Egito ou ainda mais fortemente a Babilônia do Eufrates é considerada por muitos como o lugar aí designado, pois muitos Judeus, ainda moravam em Babilônia.

Refutação: 

A babilônia do Egito, sendo provavelmente um posto militar do Império Romano, no local onde hoje é a cidade do Cairo, não existe nenhum registro das missões e da tradição que havia uma comunidade de cristãos ali naquela época muito menos que Pedro tenha estado ali, não encontramos nenhum indicio de cristianismo lá.

Já a babilônia do Eufrates não existe notícia nem tradição de qualquer apóstolo ter estado na Mesopotâmia, salvo Tomé.
Ou seja, em nenhuma das outras babilônias literais há qualquer noticia de comunidade cristã por perto, somente Roma se encaixa na descrição de Pedro.

2ª Prova bíblica. 

Colossenses 4, 10. Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé, a respeito do qual já recebestes instruções.
Assim como Pedro diz que Marcos está com ele em Babilônia (ROMA), Paulo também quando escreve sua carta aos Colossenses diz que Marcos está com ele em Roma.

Paulo manda Timóteo levar Marcos a Roma Em II Timóteo:
II Timóteo 4,11b. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o ministério.

Timóteo estava em Éfeso e só poderia Marcos estar lá ou em uma cidade por perto no caminho para Roma, e não em Babilônia do Eufrates.
Se formos ver as datas das cartas veremos que II Timóteo foi escrita antes de 1 Pedro, portanto as datas se encaixam, Marcos foi para Roma com Timóteo  por volta  do ano 65 quando Paulo escreveu a 2ª carta a ele , e antes do ano 67 Pedro escreveu sua carta as comunidades da Ásia menor com Marcos. E alguns Anos depois Paulo escreveu sua Cartas aos Colossenses e Marcos estava com ele em Roma. Será que Marcos iria de Éfeso a Roma, Depois ir pra Babilônia do Eufrates mais de 3000 km de distancia escrever a carta com Pedro e voltar pra Roma? É meio que absurdo para a época, sem meios de transportes e nem estradas e etc. veja o mapa:

Ele estaria viajando mais de 6000 km em um curto período de tempo o que é ilógico, como já disse, para a época. 

3ª Prova bíblica 

I Pedro 5, 12. Por meio de Silvano, que estimo como a um irmão fiel, vos escrevi essas poucas palavras. Minha intenção é de admoestar-vos e assegurar-vos que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes.
Todos Sabem que Silvano Andava junto a Timóteo, e na região de Éfeso próximo a Europa, o que era que Silvano iria fazer na Babilônia? Marcos e Silvano iriam para a babilônia do Eufrates somente para escrever a carta com Pedro e Depois voltarem para Roma? É geograficamente e fisicamente impossível eles estarem em 2 lugares ao menos tempo.

Relatos históricos ¹ (prestem atenção nas datas):

Como a verdade é única e imutável, assim como ninguém pode apagar a história, afim de desmentir aqueles que negam a vida do Santo Apóstolo Pedro em Roma, seu episcopado e martírio nesta cidade, vale a pena sempre recordar a memória cristã afim de combater o erro.

Pedro pregou em Roma

“Lancemos os olhos sobre os excelentes apóstolos: Pedro foi para a glória que lhe era devida; e foi em razão da inveja e da discórdia que Paulo mostrou o preço da paciência: depois de ter ensinado a justiça ao mundo inteiro e ter atingido os confins do Ocidente, deu testemunho perante aqueles que governavam e, desta forma, deixou o mundo e foi para o lugar santo. A esses homens [...] juntou-se grande multidão de eleitos que, em conseqüência da inveja, padeceram muitos ultrajes e torturas, deixando entre nós magnífico exemplo.” (São Clemente Bispo de Roma, ano 96, Carta aos Coríntios, 5,3-7; 6,1).

Clemente o 3º Bispo de Roma após Pedro, dá testemunho do belíssimo exemplo que o Apóstolo deixou entre os cidadãos Romanos.

“Não é como Pedro e Paulo que eu vos dou ordens; eles foram apóstolos, eu não sou senão um condenado” (Santo Inácio Bispo de Antioquia – Carta aos Romanos 4,3 – 107 d.C). 

Se Pedro não esteve em Roma, qual é o sentido destas palavras de Inácio de Antioquia?
“Assim, Mateus publicou entre os hebreus, na língua deles, o escrito dos Evangelhos, quando Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.” (Santo Ireneu Bispo de Lião – Contra as Heresias,III,1,1 – 180 d.C).

“Logo depois, o supracitado mágico [Simão], com os olhos do espírito impressionados por uma luz divina e extraordinária, após ter sido convencido de suas insídias [cf. At 8,18-23] pelo apóstolo Pedro, na Judéia, empreendeu uma longa viagem além-mar. Fugiu do Oriente para o Ocidente, julgando que, somente ali, poderia viver de acordo com suas convicções. Veio para Roma, onde foi bastante coadjuvado pela potëncia ali bem estabelecida [cf. Ap 17], e em pouco tempo sua iniciativas tiveram êxito, pois foi honrado como um deus pelo povo da região, com a ereção de uma estátua. Mas estas coisas pouco duraram. Imediatamente depois, ainda no começo do império de Cláudio, a Providência universal, boníssima e cheia de amor aos homens, conduziu mão a Roma, qual adversário deste destruidor da vida, o valoroso e grande apóstolo Pedro, o primeiro dentre todos pela virtude. Autêntico general de Deus, munido de armas divinas [cf. Ef 6,14-17; 1Ts 5,8], trazia do Oriente ao Ocidente a preciosa mercadoria da luz inteligível, e anunciava, como a própria luz [cf. Jo 1,9] e palavra da salvação para as almas, a boa nova do reino dos céus” (Eusébio de Cesaréia – HE,III,14,4-6 – 317 d.C)

“Sob Cláudio [Imperador], Fílon [quande estoriador judeu] em Roma relacionou-se com Pedro, que então pregava aos seus habitantes.” (Eusébio de Cesaréia – HE II,17,1 – 317 d.C)

Pedro foi Bispo de Roma

Eusébio de Cesaréia, narrando sobre a primeira sucessão Apostólica em Roma escreve:
“Depois do martírio de Pedro e Paulo, o primeiro a obter o episcopado na Igreja de Roma foi Lino. Paulo, ao escrever de Roma a Timóteo, cita-o na saudação final da carta [cf. 2Tm 4,21].” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,III,2 – 317 d.C).

“[...]quanto a Lino, cuja presença junto dele [do Apóstolo Paulo] em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo [cf. 2Tm 4,21], depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado, conforme mencionamos mais acima.” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,8 – 317 d.C).

“[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,1 – 317 d.C).

Pedro sofreu o martírio em Roma

“Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente” (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na HE II,25,8). 

“Eu, porém, posso mostrar o troféu dos Apóstolos [Pedro e Paulo]. Se, pois, quereis ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, encontrarás os troféus dos fundadores desta Igreja” (Discursocontra Probo – Caio presbítero de Roma, + ou – 199 d.C). Eusébio também trata deste escrito em HE II,25,7.

“Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo” (Orígenes, +253, conforme fragmento conservado na HE, III,1)

“Quando Nero viu consolidado seu poder, começou a empreender ações ímpias e muniu-se contra o culto do Deus do universo. [...] Foi também ele, o primeiro de todos os figadais inimigos de Deus, que teve a presunção de matar os apóstolos. Com efeito, conta-se que sob seu reinado Paulo foi decapitado em Roma. E ali igualmente Pedro foi crucificado [cf. Jo 21,18-19; 2Pd 1,14]. Confirmam tal asserção os nomes de Pedro e de Paulo, até hoje atribuídos aos cemitérios da cidade.” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,II,25,1-5 – 317 d.C).

“Pedro, contudo, parece ter pregado aos judeus da Diáspora, no Ponto, na Galácia, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia [cf. 1Pd 1,1), e finalmente foi para Roma, onde foi crucificado de cabeça para baixo, conforme ele mesmo desejara sofrer.” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE III,2 – 317 d.C)

Acusações protestantes infundadas (retiradas de um site do qual não tenho mais o link se alguém tiver, por favor, poste aqui):

“A lenda corrente de que o apóstolo Pedro residira em Roma por um período de 25 anos (de 42 a 67 d.C.), onde teria sido supostamente sepultado, faz parte do rico fabulário inventado pelo sistema católico romano, baseado na tradição!”
“Interessante que tal lenda, surgida lá pelos idos do século terceiro, determinava um período de 42 até 67 d.C., justamente quando o apóstolo desenvolvia seu ministério em inúmeras cidades.”

Estes acusadores de “meia tigela” não mostram de jeito nenhum de onde tiraram que Igreja diz que Pedro esteve em Roma por 25 anos. Os Historiadores eclesiásticos que citam Pedro como bispo de Roma por 25 anos são Eusébio e Jerônimo, porém não é um tempo exato veremos mais a frente. Como já mostrei antes nos testemunho Patristicos desde o ano 96 no 1º  século já vemos notícias de pedro em Roma!

Vejamos a explicação para o que Diz Eusébio e Jeronimo dos 25 anos:
A Tradição Cristã conserva, que terminado o Concílio em Jerusalém, Pedro viajou para Roma. Era um antigo ideal que zelosamente guardava no coração, de poder evangelizar o centro do Império Romano. Provavelmente se deslocou para Cesaréia e ainda no ano 49 ou 50, foi para a Itália, quando Cláudio era o Imperador Romano.

Esta conclusão é confirmada pela voz unânime da Tradição. É praticamente certo que Pedro viajou para Roma depois de 49 A.D. Sobre a duração do trabalho evangelizador de Pedro em Roma, há também controvérsias e não podemos seguir integralmente os dados cronológicos de Eusébio e Jerônimo, cujas considerações foram estabelecidas sobre crônicas do terceiro século, as quais não fazem parte da Velha Tradição, mas apenas constituem o resultado de cálculos que tiveram por base uma lista episcopal datada de fins do segundo século. Conforme Eusébio, foi apresentado no terceiro século o “Chronograph 354″, que estabelece um tempo de vinte e cinco anos de pontificado para São Pedro em Roma. Entretanto, consideramos o mencionado tempo excessivamente longo, se lembrarmos que a chegada de Pedro a Roma foi em 49. De acordo com a “Crônica” de Eusébio, o décimo terceiro ou décimo quarto ano do reinado de Nero é considerado como o ano em que ocorreu a morte de Pedro e Paulo (ou seja, ano 67-68). Assim sendo, como Pedro chegou a Roma no ano 49 e morreu no ano 67, a relação apresentada pelo “Chronograph 354” que fixa o seu episcopado em vinte e cinco anos, evidentemente não está correta e assim, o tempo de 25 anos deverá ser reduzido para dezoito anos, (porque 67 – 49 = 18 anos) (cf. Bartolini, Roma, 1868). Na verdade o período de 18 anos é um tempo mais condizente com os fatos conservados pela Tradição Cristã.²

Ano 54 – O imperador Claudio (41-54) expulsou de Roma todos os judeus, porque causavam distúrbios (Atos 18.2). Até o ano 54, pois, Pedro não podia estar em Roma porque era judeu, não tendo ouvintes judeus.

Ora todos sabem que os primeiros cristãos viviam nas catacumbas de Roma onde os soldados romanos não podiam ir, e Pedro era Cristão e não mais judeu. E no entanto isto não quer dizer que ele não estava em Roma, visto que em muitos casos os apóstolos pregavam escondidos para não serem presos.

Ano 55 – Mencionado como “evangelista itinerante” (1Coríntios 9.5). Neste período, evangelizou o Ponto, a Galácia, aCapadócia, a Ásia, a Bitínia e Babilônia (1Pedro 1.1;5.13).

Vamos verificar está citação:

1 Coríntios 9, 5 Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?
Onde nesta passagem está escrito que Pedro era evangelista itinerante? O que eu posso ler ai é que Pedro pode levar consigo a esposa dele, além do mais em todos os lugares que os apóstolos passavam eles evangelizavam, porém isto não diz que eles são itinerantes!

Outro erro feio  o acusador cita 1 Pedro dizendo que os acontecimentos dela foram no 55, sendo que  1ª Pedro foi escrita depois do ano 60, entre 64 e 67 para ser mais exato. Portanto mais do que furada está acusação!

Ano 57 – Paulo, na Epístola aos Romanos, saúda, nominalmente, 28 pessoas, mas não fala de Pedro (Romanos 18.1-15).

Ora e o que isto tem haver com uma pessoa está em Roma ou não?

Paulo, três dias depois de chegar a Roma, “convocou os judeus mais notáveis”, pregando-lhes a Salvação em CRISTO JESUS. Desconheciam a doutrina que lhes era anunciada (Atos 28.17-29).

Ora o fato de alguns judeus não conhecerem a doutrina cristã não quer dizer que Pedro não estava lá, o fato de alguns africanos não conhecerem Cristo não quer dizer que João Paulo II nunca esteve na África.
E onde estavam os cristãos que Paulo se dirigiu em suas epistola aos romanos que não evangelizaram estes judeus? Então não havia nenhum cristão em Roma, para pregar para aqueles judeus?

Anos 61 a 63 Paulo esteve preso em Roma por 2 anos, mas nunca Pedro o visitou.
Onde é que diz que Pedro nunca o visitou? Lucas em atos disse somente que Paulo esteve lá por 2 anos e não cita mais nada, é desconhecida as atividades de Paulo em Roma!

Na Segunda Epístola a Timóteo, escrita na prisão, no ano 63, Paulo queixou-se dos discípulos e amigos que se ausentaram: “Só Lucas está comigo” (2Timóteo 4.11). Pedro devia estar em Babilônia,de onde escreveu sua Primeira Epístola (1Pedro 5.13).

Mais uma omissão e deturpação e contradição:
Ele omite que Paulo mandou Timóteo levar Marcos para Roma, é só conferir os versículos seguintes a passagem que ele cita para ver, e já mostrei que Marcos estavam em Roma.

Se contradiz dizendo que em 63 Pedro estava em Babilônia. Ora como ele disse que Pedro era itinerante e disse que em 55 ele escreveu 1ª Pedro, então Pedro esteve ao menos 8 anos na Babilônia do Eufrates, e por que não encontramos nenhum indício na tradição ou mesmo histórico de nenhuma comunidade cristã lá?

Ano 67 – Pedro escreveu suas epístolas. Não há nenhum sinal de sua presença em Roma!

Vejam ai que Grande contradição, afinal Pedro escreveu suas epistolas em 55 como ele citou anteriormente ou em 67?
Ele era itinerante ou permaneceu 12 anos na babilônia do Eufrates? Por que de 55 a 67 são 12 anos quando foi então martirizado. É confuso entender tantas contradições!

Assim, entendemos, que a estada de Pedro em Roma, por 25 anos e a qual o catolicismo romano dá foros de verdade, não passa, isto sim, de uma ” lenda escandalosa e pérfida, não havendo provas de seu martírio em Roma”, conforme nos relata o ex-padre (ex-locutor do Vaticano), Antônio Gonçalves Pires, em seu livro “Pode um católico salvar-se?”

Assim entendemos que as tentativas de deturpar a verdade a qual a “acusogética” protestante dá foros de verdade, não passa, isto sim, de uma lenda escandalosa e pérfida, havendo VÁRIAS provas de seu martírio, episcopado e estadia em Roma conforme nos relata a bíblia, a história, geografia e a tradição!

Referencias Bibliográficas:
¹ http://www.veritatis.com.br
² http://apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com/chero.html
http://capuchinhos.org
In Cord Jesu, Semper,

Rafael Rodrigues.(http://sadoutrina.wordpress.com/2011/01/03/pedro-realmente-esteve-em-roma/)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O catálogo sagrado dos primeiros cristãos


Como poderemos ver nos testemunhos primitivos que irei transcrever, na Igreja Primitiva somente alguns livros que hoje consideramos canônicos eram comumente aceitos por toda Igreja, outros tinham sua canonicidade contestada. 

O Cânon Bíblico, ao contrário do que alguns pensam não chegou até nós pronto, mas foi resultado um grande trabalho que o Espírito Santo realizou através da Tradição Apostólica e do Magistério da Igreja Católica.
Enquanto não era chegado o tempo em que a Igreja Católica definiria de um único Catálogo Sagrado para todos os cristãos (Concílio Ecumênico de Hipona, 8 de Outubro de 393), muitos catálogos foram propostos e observados pelos primeiros cristãos.

Orígenes nos chama a atenção para algo interessante: "Observe-se que os livros do Antigo Testamento, segundo a tradição hebraica, são vinte e dois, número das letras de seu alfabeto."

Os livros sagrados segundo Justino de Roma (155 d.C)

Justino, considerado o maior apologista da verdadeira fé no segundo século, costumava utilizar o Antigo Testamento para provar através das profecias a legitimidade e a antiguidade da fé Cristã. Utilizava freqüentemente a Tradução dos Setenta, e sobre ela escreve:

"Entre os judeus, houve profetas de Deus, através dos quais o Espírito profético anunciou antecipadamente os acontecimentos futuros, e os reis, que segundo os tempos se sucederam entre os judeus, apropriando-se de tais profecias, guardaram-nas cuidadosamente tal como foram ditas e tal como os próprios profetas as consignaram em seus livros, escritos em sua própria língua hebraica. Quando Ptolomeu, rei do Egito, se preocupou em formar uma biblioteca e nela reunir os escritos de todo o mundo, tendo tido notícia dessas profecias, mandou uma embaixada a Herodes, que então era rei dos judeus, pedindo-lhe que mandasse os livros deles. O rei Herodes mandou os livros, como dissemos, em sua língua hebraica. Todavia, como seu conteúdo não podia ser entendido pelos egípcios, Ptolomeu pediu, por meio de uma nova embaixada, que Herodes enviasse homens para os verter para a língua grega. Depois disso, os livros permaneceram entre os egípcios até o presente e os judeus os usam no mundo inteiro. Estes, porém, ao lê-los, não entendem o que está escrito, mas considerando-nos inimigos e adversários, matam-nos, como vós o fazeis, e atormentam-nos sempre que podem fazê-lo, como podeis facilmente verificar. 

Com efeito, na guerra dos judeus agora terminada, Bar Kókeba, o cabeça da rebelião, mandava submeter a terríveis torturas somente os cristãos, caso estes não negassem e blasfemassem Jesus Cristo." (I Apologia 31)
Quanto ao Novo Testamento, não achamos nas obras de Justino qualquer referência.

Os livros sagrados segundo Ireneu de Lião (170 d.C)

Ireneu foi um dos maiores apologistas da fé genuína do segundo século. Foi bispo de Lião (França), discípulo de Policarpo bispo de Esmirna (discípulo de São João).

Antigo Testamento

Quanto ao Antigo Testamento Ireneu usava a versão dos Setenta (Septuaginta). Eusébio transcreve um trecho da obra de Ireneu, onde ele relata como a esta tradução foi realizada com o auxílio divino:
"Antes que os romanos tivessem estabelecido o império, e quando os macedônios ainda dominavam a Ásia, Ptolomeu, filho de Lagos, muito desejoso de enriquecer com os melhores escritos dos homens a biblioteca que instituíra em Alexandria, pediu aos habitantes de Jerusalém suas Escrituras traduzidas para a língua grega.
Estes, naquela época ainda sujeitos aos macedônios, enviaram a Ptolomeu setenta anciãos, dos mais peritos nas Escrituras e no conhecimento das duas línguas e realizou-se desta forma o plano de Deus.
Ptolomeu, querendo provar particularmente a perícia de cada um, e a fim de evitar que, por confronto entre si, eles falseassem na tradução a verdade contida nas Escrituras, separou-os uns dos outros e ordenou-lhes que todos escrevessem a tradução do mesmo texto; assim fez relativamente a todos os livros.
Mas, ao se reunirem no mesmo lugar com Ptolomeu, e conferindo as traduções, Deus foi glorificado e as Escrituras foram reconhecidas como realmente divinas, pois todos haviam expressado idéias idênticas com idênticas palavras, idênticos nomes, do começo ao fim. Desta forma, até os pagãos presentes reconheceram terem sido as Escrituras traduzidas sob inspiração de Deus.
Não é de admirar tenha Deus agido desta maneira. Efetivamente, perdidas as Escrituras por ocasião do cativeiro do povo sob Nabucodonosor, e tendo os judeus após setenta anos regressado a seu país, mais adiante, no tempo de Artaxerxes, rei dos persas, ele próprio inspirou o sacerdote Esdras da tribo de Levi [cf. Esd 9,38-41] relativamente à reconstituição das palavras dos profetas anteriores e à restauração entre o povo da legislação promulgada por Moisés." (HE V,8,10-15)

Novo Testamento

Eusébio transcrevendo trechos da obra de Ireneu, testemunha que segundo este as Escrituras do Novo Testamento são: "Mateus, no entanto, publicou entre os hebreus em sua própria língua um Evangelho escrito, enquanto Pedro e Paulo anunciavam a boa nova em Roma e lançavam os fundamentos da Igreja.
Mas, após a morte deles, Marcos, discípulo e intérprete de Pedro, transmitiu-nos por escrito igualmente o que Pedro pregara. Lucas, porém, companheiro de Paulo, deixou num livro o Evangelho pregado por este último. Enfim, João, o discípulo que reclinou sobre o peito do Senhor [cf. Jô 13,25. 21,20], publicou também ele um evangelho, enquanto residia em Éfeso, na Ásia." (HE V,8,2).
Eusébio afirma ainda que no quinto livro de "Contra as Heresias", Ireneu faz menção do Apocalipse de João, da primeira carta de Pedro, o Pastor e do livro Sabedoria de Salomão (cf. HE V,8,5-8). Ainda segundo Eusébio, Ireneu na obra "Exposições diversas" "relembra a carta aos Hebreus e a Sabedoria dita de Salomão, incluindo trecho de ambas." (HE V,26)
No entanto não podemos afirmar que Ireneu não recebia como canônicos os outros livros do que hoje compõe nosso Novo Testamento.

Os livros sagrados segundo Clemente de Alexandria

Segundo Eusébio, Clemente em sua obra Stromata "emprega também provas extraídas de Escrituras não aceitas de modo geral; cita, por exemplo, a Sabedoria dita de Salomão, a de Jesus filho de Sirac [Eclesiástico], a carta os Hebreus, as cartas de Barnabé, de Clemente [de Roma] e de Judas" (HE VI 13,6)
E continua: "Em Hyptyposes ele faz, em suma, exposições resumidas dos Testamentos de toda a Escritura, sem omitir as partes controvertidas, isto é, a Carta de Judas e as outras cartas católicas, e a carta de Barnabé e o Apocalipse, dito de Pedro. Acrescenta ser da autoria de Paulo a carta aos Hebreus, escrita para os hebreus em língua hebraica, mas que Lucas, depois de traduzi-la cuidadosamente, divulgou-a entre os gregos. Este o motivo por que se assemelham a tradução desta carta e os Atos" (HE VI,14,1-2). Eusébio ainda nos conta que Clemente ainda se refere à origem dos Evangelhos de Mateus e Marcos, dizendo que estes foram escritos primeiro (cf. HE VI,14,5-7).

Os livros sagrados segundo Orígines (+ ou - 212 d.C)

Antigo Testamento
Segundo o historiador eclesiástico da Igreja primitiva, Eusébio de Cesaréia "Ao explicar o salmo primeiro [na obra Stromata], Orígines apresenta um catálogo das Escrituras Sagradas do Antigo Testamento, escrevendo literalmente: 'Observe-se que os livros do Antigo Testamento, segundo a tradição hebraica, são vinte e dois, número das letras de seu alfabeto'. Em seguida, um pouco mais adiante prossegue: 'Os vinte e dois livros, conforme os hebreus, são os seguintes: O livro que damos o título de Gênesis, entre os hebreus traz inscrito, de acordo com as palavras iniciais: Bresith, que significam "No começo"; Êxodo, Ouellesmoth, isto é, "Eis os nomes", Levítico, Ouicra, isto é, "Ele me chamou"; Números, Ammesphecodeim; Deuteronômio, Elleaddebareim: "Estas são as palavras"; Jesus, filho de Navé [Josué], Iosouebennoun; Juízes, Rute, entre eles foram um só livro, Sophteim; Reis primeiro e segundo livros, entre eles um só, Samuel: "O eleito de Deus"; Reis, terceiro e quarto livros, em um só, Ouammelch David, isto é: "Reino de Davi"; Paralipomenos, primeiro e segundo livros, em um só, Dabreiamein, isto é, "Palavra dos dias"; Esdras, primeiro e segundo livros, em um só, Ezra, isto é, "Auxiliar"; Livro dos Salmos, Spharthelleim; Provérbios de Salomão, Meloth; Eclesiastes, Koeleth; Cântico dos Cânticos - e não como alguns julgam, Cântico dos Cânticos [esta observação de Eusébio é para indicar que não se trata do livro Cântico dos Cânticos, sim do Eclesiástico]-, Sirassereim ; Isaías, Iessia; Jeremias, com as Lamentações e a Carta em um só livro, Ieremia; Daniel, Daniel; Ezequiel, Ezechiel; Jó, Job; Ester, Esther. Além destes, os Macabeus, intitulados Sarbethsabanaiel'". (História Eclesiástica VI,25,1-2 - Eusébio de Cesaréia, 317 d.C).
Estranhamente Orígenes não cita os 12 profetas menores e nem Cântico dos Cânticos. Dos deuterocanônicos apenas reconhece os dois livros dos Macabeus e Sabedoria de Sirácida.


Novo Testamento

Segundo Eusébio quanto ao que hoje chamamos de Novo testamento o testemunho de Orígenes é:
"Conforme aprendi da tradição sobe os quatro Evangelhos, os únicos também indiscutíveis na Igreja de Deus que há sob os céus, foi escrito em primeiro lugar o evangelho segundo Mateus; este anteriormente fora publicano e depois Apóstolo de Jesus Cristo. Ele o editou para os fiéis vidos do judaísmo, redigindo-o em hebraico. O Segundo é o Evangelho segundo Marcos, que escreveu conforme as narrações de Pedro, o qual o nomeia seu filho [segundo o espírito] na carta católica, nesses termos: 'A que está em Babilônia [Roma], eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho' [cf. 1Pd 5,13]. E o terceiro é o Evangelho segundo Lucas, elogiado por Paulo [cf. 2Cor 8,18-19; 2Tm 2,8; Cl 4,14) e composto para os fiéis provenientes da gentilidade. Enfim, o Evangelho segundo João." (História Eclesiástica VI,25,4-6 - Eusébio de Cesaréia, 317 d.C).
Pelo testemunho de Orígenes os 4 Evangelhos são reconhecidos como canônicos em toda Igreja ("Conforme aprendi da tradição sobre os quatro Evangelhos, os únicos também indiscutíveis na Igreja de Deus que há sob os céus"). As palavras "os únicos indiscutíveis" testemunha que haviam ainda outros que eram aceitos por uns e renegados por outros.
Ainda sob a estreita de Eusébio "No quinto livro dos Comentários ao Evangelho segundo João, o mesmo Orígenes declara o seguinte acerca das Epístolas dos apóstolos: 'Paulo, digno ministro do Novo Testamento, não segundo a letra, mas segundo o espírito, depois de ter anunciado o evangelho desde Jerusalém e suas cercanias até o Ilírico [cf. Rm 15,19], não escreveu a todas as Igrejas que ele havia instruído; mesmo àquelas que a escreveu, enviou apenas poucas linhas." (História Eclesiástica VI,25,7 - Eusébio de Cesaréia, 317 d.C).
Aqui Orígenes reconhece como canônicas as cartas paulinas, embora não cite quais são. Quanto à controversa carta aos Hebreus, segundo Eusébio "Finalmente, externa-se da seguinte maneira sobre a Carta aos Hebreus, nas Homilias proferidas a respeito desta última: 'O estilo da epístola intitulada Aos Hebreus carece da marca de simplicidade de composição do Apóstolo, que confessa ele próprio ser imperito no falar, isto é, no fraseado [cf. 2Cor 11,6]; no entanto, a carta é grego do melhor estilo, e qualquer perito em diferenças de redação o reconheceria. Efetivamente, os conceitos da Epístola são admiráveis e em nada inferiores aos das genuínas cartas apostólicas. Há de concordar quem ouvir atentamente a leitura das cartas do Apóstolo'. Mas adiante [diz Eusébio], [Orígenes] adita essas afirmações: 'Mas, para exprimir meu próprio ponto de vista, diria que os pensamentos são do Apóstolo, enquanto o estilo e a composição originam-se de alguém que tem presente a doutrina do Apóstolo, e por assim dizer, de um redator que escreve as preleções de um mestre. Se, portanto, uma Igreja tem por certo que a carta provém do Apóstolo [Paulo], felicito-a, pois não será sem fundamento que os antigos a transmitiram como sendo da autoria de Paulo. Entretanto, quem escreveu a carta? Deus o sabe. A tradição nos transmitiu o parecer de alguns de ter sido redigida por Clemente, bispo de Roma [e discípulo de Pedro e Paulo], outros opinam ter sido Lucas, o autor do Evangelho e dos Atos.'" (História Eclesiástica VI,25,11 - Eusébio de Cesaréia, 317 d.C).

Como podemos ver, embora seja controversa a autoria da Carta aos Hebreus, Orígenes não só a considera canônica, como afirma que este é o mesmo parecer dos presbíteros que o antecederam. Observem que quanto ao livro dos Atos dos Apóstolos, Orígenes apenas mostra que o conhece, mas não emite seu parecer quanto à canonicidade do livro ("outros opinam ter sido Lucas, o autor do Evangelho e dos Atos").

Ainda na estreita de Eusébio, sobre os outros livros afirma: "Pedro, sobre quem está edificada a Igreja de Cristo, contra a qual não prevalecerão as portas do inferno [cf. Mt 16,18], deixou apenas uma carta incontestada, e talvez ainda outra, porém controvertida." (História Eclesiástica VI,25,8 - Eusébio de Cesaréia, 317 d.C). Orígenes não só reconhece a canonicidade da primeira epístola de São Pedro, como declara que o mesmo é o parecer comum da Igreja em seu tempo. E quanto à segunda Epístola que hoje se encontra em nosso cânon, ele afirma que não é aceita por todos ("e talvez ainda outra, porém controvertida").

E continua "Que dizer de João, que reclinou sobre o peito de Jesus [cf. Jo 13,25; 21,20], deixou um evangelho, assegurou ser-lhe possível compor mais livros do que poderia o mundo conter [cf. 21,25], e escreveu o Apocalipse, mas recebeu a ordem de se calar e não escrever as mensagens das vozes das sete trombetas [cf. Ap 10,4]?" (História Eclesiástica VI,25,9 - Eusébio de Cesaréia, 317 d.C). Aparece-nos que aqui afirmar a canonicidade do Apocalipse de João.

"Legou-nos também uma Carta de muito poucas linhas e talvez outra e ainda terceira, pois nem todos admitem que estas sejam autênticas; aliás, as duas juntas não abrangem cem linhas" (História Eclesiástica VI,25,10 - Eusébio de Cesaréia, 317 d.C). Quanto às cartas de São João Apóstolo e Evangelista, Orígenes diz que comumente era reconhecida como canônica somente a primeira carta. Ainda não havia na Igreja antiga um parecer comum quanto à canonicidade das outras duas ("e talvez outra e ainda terceira, pois nem todos admitem que estas sejam autênticas").

Como podemos ver, segundo Eusébio, Orígenes não emitiu nenhum parecer quanto às outras cartas que hoje consideramos canônicas que são as Epístolas Universais de São Judas Tadeu e São Tiago Menor e o livro de Atos.
Desta forma segundo Orígenes as Escrituras Sagradas são compostas pelos seguintes livros:

Antigo Testamento

1 - Gênesis (Bresith)
2- Êxodo (Ouellesmoth)
3- Levítico (Ouicra)
4- Números (Ammesphecodeim)
5 -Deuteronômio (Elleaddebareim)
6- Josué (Iosouebennoun)
7- Juíses e Rute (Sophteim)
8 - I e II Reis [I e II Samuel] (Samuel)
9 - III e IV Reis [I e II Reis] (Ouammelch David)
10 - Paralipomenos [I e II Crônicas] (Dabreiamein)
11 - I e II Esdras [Esdras e Neemias] (Ezra)
12 - Livro dos Salmos [Salmos] (Spharthelleim)
13 - Provérbios de Salomão [Provérbios] (Meloth)
14 - Eclesiastes (Keoleth)
15 - Cântico dos Cânticos [Eclesiástico] (Sirassereim)
16 - Isaías (Iessia)
17 - Jeremias, Lamentações e a Carta de Jeremias [Jeremias] (Ieremia)
18 - Daniel
19 - Ezequiel (Ezechiel)
20 - Jó (Job)
21 - Ester (Esther)
22 - Macabeus [I e II Macabeus] (Sarbethsabanaiel)
Novo Testamento
1 - Evangelho Segundo São Mateus
2 - Evangelho Segundo São Marcos
3 - Evangelho Segundo São Lucas
4 - Evangelho Segundo São João
5 - Apocalipse
6 - Atos (?)
7 - As Cartas Paulinas [será que incluía a Epístola aos Laodicenses?]
8 - Primeira Epístola de São Pedro
9 - Primeira Epístola de São João

A Lista de Santo Atanásio de Alexandria (367 dC)

No ano 367 dC, por ocasião da Festa da Páscoa, Santo Anatásio Bispo de Alexandria, escreve uma epístola onde relaciona os livros normalmente aceitos como canônicos pelos cristãos de seu tempo. A necessidade ocorre pq alguns hereges estavam escrevendo livros espúrios e atribuindo-os a autoria dos apóstolos e seus discípulos, para assim dar legitimidade e autoridade aos livros.
Antigo Testamento

"Há, portanto, 22 Livros do Antigo Testamento, número que, pelo que ouvi, nos foram transmitidos, sendo este o número citado nas cartas entre os Hebreus, sendo sua ordem e nomes respectivamente, como se segue: Primeiro, o Gênesis. Depois, o Êxodo. Depois, o Levítico. Em seguida, Números e, por fim, o Deuteronômio. Após esses, Josué, o filho de Nun. Depois, os Juízes e Rute. Em seguida, os quatro Livros dos Reis, sendo o primeiro e o segundo listados como um livro, o terceiro e o quarto também, como um só livro. Em seguida, o primeiro e o segundo Livros das Crônicas, listados como um só livro. Depois, Esdras, sendo o primeiro e o segundo igualmente listados num só livro. Depois desses, há o Livro dos Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. O Livro de Jó. Os doze Profetas são listados como um livro. Depois Isaías, um livro. Depois, Jeremias com Baruc, Lamentações e a Carta [de Jeremias], num só livro. Ezequiel e Daniel, um livro cada. Assim se constitui o Antigo Testamento." (Epístola 39,4 - Santo Atanásio de Alexandria, 367 d.C).

Esta lista de 22 livros apresentada por Atanásio parece muito com o cânon judaico definido em Jâmnia (+ ou - 110 d.C), senão fosse pela exclusão de Ester e a inclusão de Baruc (livro deuterocanônico). Como a Igreja ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre quais livros faziam parte da Sagrada Escritura, Atanásio refere-se a um cânon "citado nas cartas entre os Hebreus" e que pela divergência em relação ao cânon oficial judaico, nos faz pensar que estas cartas foram escritas antes do sínodo de Jâmnia. Para completar seu cânon, também faz uso da tradição dos presbíteros que lhe antecederam:

"Mas, para uma maior exatidão, acrescento também, escrevendo para não me omitir, que há outros livros, além desses, de fato incluídos no Cânon, indicados pelos Padres para leitura por aqueles recém-admitidos entre nós e que desejam receber instrução sobre a Palavra de Deus: a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac [Eclesiástico], Ester e Judite, Tobias, bem como aqueles chamados Ensinamento dos Apóstolos [Didaqué] e o Pastor. Quanto aos primeiros, meus irmãos, foram incluídos no Cânon; mas os últimos são para leitura, não havendo em lugar nenhum menção a eles como sendo escritos apócrifos." (Epístola 39,7 - Santo Atanásio de Alexandria, 367 d.C)
Como podemos observar dos deuterocanônicos Atanásio apenas exclui os livros dos Macabeus.

Novo Testamento

"Não é tedioso repetir os [livros] do Novo Testamento. São os quatro Evangelhos, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. Em seguida, o Atos dos Apóstolos e as sete Epístolas, ou seja: de Tiago, uma; de Pedro, duas; de João, três; de Judas, uma. Em adição, vêm as 14 Cartas de Paulo, escritas nessa ordem: a primeira, aos Romanos, as duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, uma aos Hebreus, duas a Timóteo, uma a Tito e, por último, uma a Filemon. Além disso, o Livro da Revelação de João [Apocalipse]." (Epístola 39, Santo Atanásio de Alexandria, 367 d.C).
Como podemos ver o Novo Testamento de Atanásio é o mesmo que hoje guardamos.
Desta forma segundo Atanásio de Alexandria as Escrituras Sagradas são compostas pelos seguintes livros:

Antigo Testamento
1 - Gênesis
2- Êxodo
3- Levítico
4- Números
5 -Deuteronômio
6- Josué
7- Juíses
8 - Rute
9 - I e II Reis [I e II Samuel]
10 - III e IV Reis [I e II Reis]
11 - I e II Crônicas
12 - I e II Esdras [Esdras e Neemias]
13 - Salmos
14 - Provérbios
15 - Eclesiastes,
16 - Cântico dos Cânticos
17 - Jó
18 - Os doze profetas
19 - Isaías
20 - Jeremias, a Carta de Jeremias [Jeremias], Lamentações e Baruc
21 - Ezequiel
22 - Daniel
23 - Sabedoria de Salomão
24 - Sabedoria de Sirac [Eclesiástico]
25 - Ester
26 - Judite
27 - Tobias
Novo Testamento
Igual ao que guardamos hoje.

O Cânon de Melitão de Sardes (- ou - 120 d.C)

Segundo Eusébio, Melitão bispo da Igreja de Sardes "Nas Éclogas por ele exaradas, o mesmo autor, já no início do prefácio, cataloga os livros recebidos do Antigo Testamento. É oportuno reproduzi-lo aqui. Assim escreve: ?Melitão a Onésimo, seu irmão. Saudações, Visto que muitas vezes manifestaste o desejo, inspirado pelo zelo relativamente à doutrina, de possuir extratos da Lei e dos profetas sobre o Salvador e o conjunto de nossa fé, e ainda quiseste conhecer com exatidão o número dos antigos livros e a ordem que seguem, dediquei-me a tal tarefa, uma vez que conheço teu zelo pela fé e tua aplicação ao estudo da doutrina. O Amor de Deus sobretudo faz com que o aprecies, enquanto lutas tendo em mira a salvação eterna.

Tendo ido, portanto, ao Oriente e tendo estado até mesmo no lugar onde a Escritura foi anunciada e cumprida, tive exato conhecimento acerca dos livros do antigo Testamento. Levantei uma lista, que te envio. São os seguintes os seus nomes: de Moisés cinco livros: Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio; Jesus Navé [Josué], Juízes, Ruth; quatro livros dos Reis [I e II Samuel e I e II Reis], dois dos Paralipômenos [I e II Crônicas]; Salmos de Davi, Provérbios ou Sabedoria de Salomão [Provérbios e Sabedoria]; Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Jó; profetas: Isaías, Jeremias e os Doze num só livro; Daniel, Ezequiel, Esdras. Destas obras extraí alguns trechos, que distribuí por seis livros.? Tais as palavras de Melitão" (HE IV,26,14.)
1 - Gênesis
2- Êxodo
3- Levítico
4- Números
5 -Deuteronômio
6- Josué
7- Juíses
8- Ruth
9 - I e II Reis [I e II Samuel]
10 - III e IV Reis [I e II Reis]
11 - I e II Crônicas
12 - Salmos de Davi
13 - Provérbios e Sabedoria
14 - Eclesiastes
15 - Cântico dos Cânticos
16 - Jó
17 - Isaías
18 - Jeremias [Jeremias e Lamentações]
19 - os Doze profetas
20 - Daniel
21 - Ezequiel
22 - Esdras [Esdras e Neemias]
Melitão exclui Ester, e inclui o livro da Sabedoria.

Citações de Eusébio (317 d.C) 

Eusébio cita trechos do historiador judeu Filón de Alexandria, em que este por admirar o modo de vida cristão, começa a relatar como os cristãos viviam e como eram suas assembléias. Depois Eubébio comenta que todas as coisas de que escreveu Filóm "De fato, relatam os Atos dos Apóstolos, livro tido por autêntico " (HE II,17,6)

As Escrituras em Geral

Segundo Eusébio, Fílon em sua obra "A Vida contemplativa" ou "Os orantes", sobre as escrituras cristãs escreve: "Possuem também escritos dos antigos, primeiros guias de sua seita, que deixaram numerosos monumentos de sua doutrina sob forma alegórica. Utilizam-nas como modelos de comportamento a imitar." (HE II,17,11) Para Eusébio "Talvez os livros que ele aponta como sendo entre eles [os cristãos] os livros dos antigos sejam os evangelhos, e os escritos dos apóstolos e provavelmente algumas interpretações dos antigos profetas, tais os contidos na carta aos Hebreus e numerosas cartas de Paulo." (HE II,17,12)
Mas a frente Eusébio nos dá um parecer mais detalhado sobre as cartas apostólicas recebidas ou as rejeitadas como autênticas:
Os Escritos de São Pedro
"Com efeito, de Pedro, apenas uma carta, classificada como primeira, é reconhecida por autêntica e os próprios antigos presbíteros utilizaram-na, citando-a em seus escritos como genuína. Quanto àquele enumerada como segunda, tivemos notícia de que não é testamentária, todavia muitos a consideram útil e foi tomada em consideração com as demais Escrituras." (HE III,3,1)

Mais adiante ele escreve: "... as palavras de Pedro indicam também em que províncias ele próprio anunciou Cristo e transmitiu a doutrina do Novo Testamento aos circuncisos. Esclarece-o igualmente a carta que afirmamos ser tida por autêntica [a primeira carta], dirigida aos hebreus da Dispersão do Ponto, da Galácia, da Capadócia, da Ásia e da Bitínia [cf. 1Pd 1,1]" (HE III, 4,2)
"Relativamente aos Atos que trazem seu nome [portanto, Atos de Pedro], ao Evangelho dito segundo Pedro, ao Kerygma e ao suposto Apocalipse de Pedro, sabemos que não foram de modo algum transmitidos entre os escritos católicos e que nenhum escritor eclesiástico, nem dentre os antigos, nem dos atuais, utilizou testemunhos tirados destas obras." (HE III,3,2)

Mas adiante confirma seu parecer quanto aos escritos atribuídos a São Pedro: "Dos escritos atribuídos a Pedro, conheço apenas uma carta reconhecida pelos antigos presbíteros como autêntica. E é só" (HE III,3,4)
 
Os Escritos de São Paulo

Quanto às cartas paulinas escreve: "No tocando a Paulo evidentemente dele provêm as catorze cartas. Não seria justo deixar de reconhecer que alguns, no entanto, rejeitam a carta aos Hebreus, assegurando não ser recebida pela Igreja de Roma, por não ser da autoria de Paulo. [...] De outro lado, os Atos que trazem seu nome [portanto, Atos de Paulo], não os aceito entre os livros autênticos." (HE III,3,5)

Eusébio testemunha que muitos dos antigos não recebiam como canônica a Carta aos Hebreus, tal era o caso de "Caio de Roma, homem muito eloqüente, que vivia em Roma no tempo de Zeferino [bispo de Roma], num Diálogo contra Proclo, que disputava em favor da heresia catafrígia. Nesta obra, Caio refreia a temeridade e audácia dos adversários de comporem novas Escrituras; menciona somente treze cartas do santo Apóstolo [Paulo], não enumerando entre as demais a carta aos Hebreus, visto que, ainda hoje, em Roma pensam alguns não ser da autoria do Apóstolo." (HE VI,20,3).
Eusébio, dá testemunho que o livro "O Pastor" de Hermas, era tido como canônico por alguns:
"Visto que o mesmo apóstolos [Paulo], nas saudações finais da carta aos Romanos entre outros, menciona Hermas [cf. Rm 16,14], a quem se atribui o livro intitulado Pastor, é bom saber que também este é contestado por alguns que não o colocam entre as obras recebidas, enquanto outros julgam-no muito útil, principalmente para os necessitados de iniciação elementar. Estamos cientes de que é lido publicamente nas Igrejas e verifiquei ter sido empregado por alguns dos autores mais antigos." (HE III,3,6)

O Evangelho de Lucas e os Atos

Sobre o Evangelho de Lucas e o livro dos Atos diz: "Deles [dos apóstolos] [Lucas] aprendeu a cura das almas, conforme comprovou nos dois livros inspirados por Deus, o Evangelho que ele atesta ter composto conforme lhe transmitiram os que foram desde o início testemunhas oculares e ministros da palavra e aos quais seguiu desde o começo [cf. Lc 1,2-3] e os Atos dos Apóstolos, que não redigiu de acordo com o que ouviu, mas ao invés com o que viu com os próprios olhos." (HE III,4,6)

Os Escritos de São João

Quanto aos escritos de São João escreve que: "E agora, assinalemos os escritos provindos incontestavelmente deste apóstolo. Em primeiro lugar, sem dúvida, há de ser recebido o Evangelho segundo João, reconhecido por todas as Igrejas debaixo do céu. Com razão os antigos colocam-no em quarto lugar, após os três outros [....]" (HE III,24,1-2)
Depois mais adiante: "Dos escritos de João além do Evangelho, a primeira das cartas não sofre contestação nem da parte de nossos contemporâneos, nem dos antigos. As duas outras são contestadas. Quanto ao Apocalipse, sua autenticidade é ainda discutível para muitos. De novo há de ser ponderada, a seu tempo, segundo o testemunho dos antigos" (HE III,24,17-18)

"A esta altura, parece-nos oportuno recapitular os escritos do Novo Testamento a que nos referimos. Sem dúvida, importa pôr em primeiro lugar o sagrado quaternário dos Evangelhos, seguido do livro dos Atos dos Apóstolos.
Em seguida, sejam mencionadas as Cartas de Paulo, na continuação das quais seja sancionada a primeira a João e igualmente a primeira carta de Pedro. No prosseguimento destas obras, colocar-se-á, se conveniente, o Apocalipse de João [....]. Tais são os livros recebidos. Entre os contestados mas apesar disso recebidos pela maioria, existe a carta atribuída a Tiago, a de Judas, a segunda carta de Pedro e as cartas enumeradas como segunda e a terceira de João, que sejam do Evangelista ou do outro, com idêntico nome." (HE III,25)

Eusébio cita ainda o testemunho de Dionísio, presbítero de Alexandria e historiador da Igreja do início do segundo século. Segundo Eusébio, Dionísio reconhecia como canônicas o Evangelho de João e a primeira carta (cf. HE, VII,25). Dionísio dá testemunho que alguns de seus predecessores não recebiam como canônico o livro do Apocalipse: "Alguns dos nossos predecessores rejeitaram e repeliram inteiramente este livro. Criticaram-no capítulo por capítulo, declarando-o inteligível, ilógico e falsamente intitulado. Afirmam, de fato, não provir de João, nem ser uma revelação, porque completamente oculta sob o véu espesso do incognoscível" (HE, VII,25,1-2).

Os antigos presbíteros de Alexandria duvidavam até que o livro fosse de autoria de São João, atribuindo-lhe ao herege Cerinto a autoria do livro: "[...] o autor não seria um dos apóstolos, nem mesmo um dos santos ou membros da Igreja, e sim Cerinto, o fundador da heresia cerintiana, nome derivado do seu, o qual procurou dar sua produção um nome digno de crédito" (HE, VII,25,2).

No entanto, Dionísio prefere não duvidar da canonicidade do livro: "No entanto, não ouso rejeitar este livro que muitos irmãos apreciam, mas julgando que suas concepções ultrapassam meu entendimento, suponho ter cada passagem, de certo modo, significado oculto e maravilhoso. De fato, se não o compreendo, ao menos suspeito existir sob as palavras um sentido mais profundo.

Não meço, nem aprecio segundo meus próprios raciocínios; mas, atribuindo prioridade á fé, penso tratar-se de realidades elevadas demais para serem aprendidas por mim e não rejeito o que não compreendo, mas admiro-o tanto mais quanto não o contemplei." (HE, VII,25,4-5)
Dionísio duvidava apenas que o Apocalipse fosse de autoria do Santo Apóstolo João: "Por conseguinte, que ele [o autor do livro] se chame João e este escrito se origine de João, não direi o contrário e concedo que se trata de homem santo e inspirado por Deus. Mas, não concordo facilmente que seja o apóstolo, filho de Zebedeu, irmão de Tiago, de quem são o Evangelho intitulado Segundo João e a carta católica [a primeira carta]" (HE, VII,25,7)

Conclusão de Eusébio

"Entre os apócrifos, ponham-se o livro dos Atos de Paulo, a obra intitulada O Pastor, o Apocalipse de Pedro, e além disso a Carta atribuída a Barnabé, o escrito chamado A doutrina dos Apóstolos [Didaqué], depois como já disse, o Apocalipse de João, se parecer bem. Alguns, conforme já declarei, o rejeitam, mas outros o inserem entre os livros recebidos.

Entre esses livros alguns ainda puseram o Evangelho segundo os Hebreus, que agrada sobretudo aos hebreus que aderiram a Cristo. Todos esses livros estão no número dos escritos contestados.

Achamos necessário fazer igualmente o catálogo dessas últimas obras, separando-as das Escrituras que segundo a tradição da Igreja, são verdadeiras, autênticas e reconhecidas, dos livros que, ao invés, não são testamentários, mas contestados, apesar de serem conhecidos pela maior parte dos escritores eclesiásticos. Assim, poderemos conhecer esses livros e os que, entre os hereges, são apresentados sob o nome do apóstolos, que se trate dos Evangelhos de Pedro, de Tomé, de Matias etc., ou dos Atos de André, de João e dos outros apóstolos. Jamais entre os escritores eclesiásticos que se sucederam, houve quem julgasse conveniente relembrá-los." (HE III,25)

Autor: Alessandro Lima